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Amadurecendo... sempre.
Segunda-feira, Abril 26, 2004

E lá vou eu... De novo!
Mais alguns dias fora...
E não vai parar por aqui.
Na programação para os próximos meses: Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. Não, necessariamente, nessa ordem.
Um grande abraço... Já com saudades.
:: Publicado Por
Rock&Blues
:: 12:40 AM ::
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Segunda-feira, Abril 19, 2004

MÍRIAM LEITÃO - jornal O Globo de 13/04/2004
No longo fim de semana, faltou água e sobraram tiros no Rio de Janeiro. Enquanto a governadora se curava numa praia dos rigores dos seus regimes emagrecedores - teve que voltar no sábado, pobrezinha - o secretário de segurança mandava dizer que nada tinha a dizer. Ontem, ao recuperar a fala, ele felizmente não repetiu que a criminalidade está caindo. A sensação que se vive no Rio é de colapso.
Sou uma privilegiada, moro na Gávea; eu apenas ouço os sons da guerra travada no país vizinho, a Rocinha. Mas 55 mil cidadãos brasileiros moram lá. E, para eles, as autoridades constituídas não são as que nos governam. São Dudu e Lulu, em sua disputa sangrenta pelo centro distribuidor de droga mais rentável do rio.
No meu escritório, trabalham três meninas negras que recrutei junto a um programa de profissionalização de jovens das favelas. Elas contam fatos estarrecedores, mas que já se tornaram rotina no Rio. Certas tragédias cotidianas nas favelas nem saem nos jornais. Banalizaram-se. Às vezes, faltam ao trabalho avisando que o morro onde moram está em guerra. Anos atrás, quando um menino carregador, na Cobal, disse-me que havia guerra onde ele morava, eu perguntei: "greve?" E ele respondeu, espantado com meu espanto: "Não, é guerra mesmo." Hoje, esta palavra se incorporou ao vocabulário carioca como se não concentrasse em si mesma todo o horror do rompimento do contrato civilizatório. Como se fosse aceitável viver numa cidade cercada de guetos bélicos, onde autoridades truculentas, que tiram seu poder do crime, aterrorizam brasileiros diante de uma polícia, em geral inepta, mal treinada e, quantas vezes, cúmplice dos criminosos. Como resposta, as autoridades estaduais tiveram uma idéia genial: fazer um muro e isolar o problema. Assim, os bandidos do Vidigal não invadiriam a reserva de mercado dos da Rocinha e nós, os moradores das partes nobres da cidade, poderíamos dormir em paz sem o inquietante barulho das balas. Ontem mesmo, desistiram dessa idéia.
Uma mulher em trabalho de parto não pôde ser atendida pela polícia porque os traficantes não deixaram. Imagine o que é estar vivendo um pânico assim num momento em que o corpo pede amparo? A menina na capa dos jornais carregando seu ovo de Páscoa, distraída entre fuzis e metralhadoras, é uma dessas imagens que falam. Diariamente, as fotos nos jornais nos revelam notícias de uma guerra doméstica que se alastra. Mas o governador, perdão, o secretário de Segurança, garante que os números da violência são declinantes.
Queridos leitora e leitor, vocês devem estar pensando: "o que deu nela? Esse panorama não é de economia?" Não faltam assuntos. Reunião do Copom esta semana. Nela, os juros devem cair. Os indicadores mostram inflação caindo, nível de atividade em desaceleração; cenário perfeito para queda. Nova proposta do governo para as agências. O governo que as criticava, começa, aos poucos, a entender que a independência delas cria um ambiente de estabilidade de regras, ideal para o investimento. Balança comercial produzindo a cada semana números melhores. A previsão do saldo do ano já foi revista várias vezes para cima. Mas a economia não é uma bolha isolada do resto do mundo. De que serviriam juros em queda, estabilidade de regras, equilíbrio nas contas externas num país em que uma de suas mais importantes cidades vê, num fim de semana, sinais eloqüentes do colapso do poder público?
A água desapareceu quinta-feira e reapareceu no sábado. Neste período, de banhos com água mineral, não adiantava procurar a Cedae. O atendente repetia informações decoradas num tom arrogante, como se fosse uma concessão estar lá dando atenção a um mero consumidor. Uma estatal monopolista, sobre a qual não pesam as exigências de metas, de desempenho, nem os rigores das agências reguladoras, não tem mesmo que dar satisfação alguma, a ninguém.
A geração dos meus filhos - e da Débora que assina esta coluna também - tem um estranho saudosismo de um tempo que não viveu. Os jovens costumam dizer, quando contamos histórias dos dolorosos anos 70, que a minha geração sim travou gloriosas batalhas. Agora, faltariam grandes causas. Este sentimento ficou ainda maior no último 31 de março.
Nós tínhamos um inimigo claro e sabíamos que um dia ele seria derrotado. Hoje, os jovens estão cercados por inimigos difusos e que se fortalecem. O tráfico de drogas que inferniza a cidade e escraviza os pobres. Os farsantes da política que surfam qualquer onda e usam todas as técnicas de marketing e brechas da legislação eleitoral para se perpetuar no poder. A violência gratuita dos jovens da classe média. E, como se tudo isso fosse pouco, ainda está aí, intocada, a velha inimiga do Brasil: a desigualdade social e racial.
Uma das virtudes da juventude atual é estar participando, cada vez mais, de movimentos de voluntariado. Débora dá aulas de português num cursinho pré-vestibular para negros e carentes no morro Dona Marta. Esta semana, talvez ela não vá. Não há clima para se atravessar as fronteiras dessa cidade partida - como a definiu Zuenir há dez anos. E partida não em duas, mas em muitas repúblicas, cada uma delas sob o controle de um tirano local.
Pobres jovens, principalmente, pobres jovens pobres do Rio! Os inimigos são tantos e a vitória não parece próxima. No Rio, convivemos com a assustadora sensação de que estamos nos afastando lentamente da civilização.
____________________
- - - -
Acrescentar o que?
O Rio de Janeiro continua lindo... Aquele abraço!
Desta vez, sem música.
(Obrigado ao meu amigo Marcelo que enviou o texto por e-mail.)
:: Publicado Por
Rock&Blues
:: 12:54 AM ::
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Quinta-feira, Abril 15, 2004

Aos meus Amigos.
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos; enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar!
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na minha sagrada relação de amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, rezo pela vida deles.
E me envergonho porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, caí-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus verdadeiros amigos!
"A gente não faz amigos, reconhece-os".
O texto acima é da autoria do saudoso Vinícius de Moraes.
Não mudei nem uma letra (não me atreveria), apenas grifei um trecho.
Adapta-se como uma luva para mim. Eu também sou assim.
Esqueço-me, com freqüência, de procurar meus amigos e de dizer, ou demonstrar, o quanto eles são importantes na minha vida.
Eu já publiquei esse texto anteriormente e tenho certeza de que ainda o farei, algumas vezes, no futuro.
É a minha maneira de homenagear aos amigos que, como no trecho grifado, talvez nem desconfiem do valor que têm para mim.
Na escolha da música de fundo selecionei, sem pensar duas vezes, a "Canção da América" do Milton Nascimento e Fernando Brandt. Afinal, "amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito".
Mas na hora de salvar o post...
A "Lista", de Oswaldo Montenegro, pareceu mais apropriada.
:: Publicado Por
Rock&Blues
:: 11:59 PM ::
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Sexta-feira, Abril 09, 2004

Aleluia!!
O Bionicão (meu micro) já está legal de novo.
E sem necessitar de soluções radicais.
Fui dormir tarde... Muito tarde... Mas resolvi, ainda bem.
Já imaginaram passar o feriado fazendo backup de dados, formatando e reinstalando tuuudo de novo??... Argh...
:: Publicado Por
Rock&Blues
:: 11:50 AM ::
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Quinta-feira, Abril 08, 2004

Ontem à noite, enquanto acessava meus e-mails, tive a desagradável surpresa de descobrir que meu micro está "virótico".
E, o que é pior, o "infeliz" do trojan desabilitou meu anti-virus...
Descacetou completamente!!... E abriu uma "backdoor".
Vou tentar arrumar tudo hoje à noite.
Se não conseguir, passarei momentos agradáveis e inesquecíveis nesse feriado, formatando o meu HD.
Torçam por mim.
Toda mentalização positiva será bem-vinda.
Obrigado... Beijinhos... E até sei-lá-quando.
P.S.: Estou postando do trabalho (pssit... que ninguém nos ouça).
:: Publicado Por
Rock&Blues
:: 5:00 PM ::
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Quarta-feira, Abril 07, 2004

Eu vi... E você?
Eu vi a final do BBB4. Final previsível.
Já há algumas semanas que o assunto aqui no trabalho (e no resto da cidade) é BBB.
É impressionante como espreitar a vida alheia dá Ibope. Mesmo aqueles que, como eu, insistem em não gostar, não resistem a uma olhadinha eventual.
E é quase impossível manter-se alheio ao assunto. Torna-se discussão obrigatória em todas as rodinhas de bate-papo.
Para mim, algumas constatações são bastantes óbvias.
De como a Globo promove e produz bem o programa e como, com a mesma competência, manipula a opinião dos telespectadores.
Desde a escolha dos (personagens) participantes, todos selecionados segundo critérios de marketing muito bem definidos.
Nessa edição o tema da "novela" foi a "luta de classes".
É fato mais do que sabido que as cenas têm que ser editadas e vários cortes são obrigatórios, pelo menos no canal aberto. O que ocorre, na realidade, é que só vai ao ar o que interessa à emissora. E aí é que entra a manipulação da opinião pública.
Eu tenho uma colega no trabalho que não concorda comigo, defendendo a tese de que ela não é manipulada, pois tem assinatura do pacote completo na TV a cabo e, assim sendo, tem acesso "24 horas" à intimidade dos "brothers".
O que ela se esquece é que o acesso à Net e a compra do "pacote BBB - 24h", ainda é privilégio de uma minoria.
Dos milhões de votos que chegam pelo telefone, a esmagadora maioria é do povão que só assiste ao canal aberto. E são eles que, em última análise, decidem a sorte e os rumos do programa.
A maioria dos votantes é, no linguajar da mídia, das classes "C" e "D". Não é nenhuma surpresa que os dois representantes dos "menos favorecidos" ficassem para a grande final.
Não estou aqui entrando no mérito da questão, se o resultado foi justo ou não. Até porque, justiça não é o objetivo do programa. Ele é movido à pontos do Ibope.
Aliás, o Pedro Bial se apressou em justificar no discurso, antes do anúncio do vencedor, que não houve ali nenhuma preocupação de caráter social, como a questão da distribuição de renda ou algo parecido.
Bastante sintomático.
De toda forma, o final foi bem conduzido, como toda produção "Global", com direito à lágrimas, muita emoção e muita alegria nas festas paralelas, no palco com o Jota Quest e nas ruas.
Parabéns à Cida que, provavelmente, precisava muito dessa grana (e quem não precisa?).
Só não me causou surpresa. Foi previsível.
E foi somente pelo fato de eu ter acabado de discutir esse assunto com essa colega de trabalho que estou escrevendo aqui agora, aproveitando o meu horário de almoço (são 12:43 h).
:: Publicado Por
Rock&Blues
:: 4:22 PM ::
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Segunda-feira, Abril 05, 2004

Afinal, é uma Boa Idéia!!
Obrigado, de coração, a todos que lembraram.
Não vou citar nomes, é claro. Seria imperdoável se eu esquecesse alguém.
Quero apenas deixar registrada a minha satisfação em perceber que tantos amigos se lembraram, apesar das minhas tentativas em fazer passar despercebido.
Chega a ser paradoxal que essa lembrança tenha me causado tanta satisfação enquanto, por outro lado, faço cada vez menos questão de comemorar.
Não que a data não mereça...
Cada ano vivido deve ser comemorado, ainda que, no somatório dos prós e contras, o saldo seja, eventualmente, negativo.
Resta-nos sempre a vitória de ter sobrevivido.
Mas perde-se, com o passar dos anos, aquela euforia, própria dos jovens, ao soprar as velinhas. Até porque, haja fôlego pra tanta vela!
Enfim, estou satisfeito.
Estou na idade da "boa idéia", feliz com os velhos e verdadeiros amigos e esperançoso com os novos.
Os novos amigos que me surpreenderam no Empório Santo Antônio, no Pier 21, em Brasília, dois dias antes do meu aniversário. Tive que beber chope em uma jarra com um gargalo de 1 metro de comprimento ao som de "parabéns" e o estardalhaço de todos os presentes. Quem conhece, sabe como é.
Divertidíssimo! Talvez eu até coloque as fotos aqui. Talvez...
Eu não ia comentar nada a respeito aqui no blog, confesso. Mas acabei cedendo à tentação.
Meu sábado foi para os meus filhos, mas, nas últimas horas de domingo, sozinho, parei um pouquinho para pensar na vida.
Duas coisas me vieram à mente.
Uma música dos Titãs e um texto, "Filtro Solar", na voz do Pedro Bial.
Deixo aqui a música.
EPITÁFIO
(Titãs)
Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
:: Publicado Por
Rock&Blues
:: 1:48 AM ::
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