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Neste momento: amadurecendo

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Amadurecendo... sempre.

 

Quarta-feira, Setembro 29, 2004



29/09/2004, 22:00 h. Acabei de chegar do cinema. Fui assistir "Supremacia Bourne".
Para quem não conhece a história, Jason Bourne é um ex-agente da CIA que perdeu a memória. Mas não é um agente comum. Superagente é pouco para defini-lo. Num confronto direto, James Bond perderia.
Conclusão: adorei o filme.
Mentiras? Sim, dezenas. Mirabolantes. Curti cada segundo de todas elas.
Cinema para mim é lazer, é um momento de fuga da realidade. Um mergulho na fantasia.
É o único local do planeta onde o mocinho vence o bandido disparando um revólver de calibre 44 Magnum com uma só mão, sem errar um tiro, e conclui a façanha com um olhar frio e uma frase do tipo:
- Make my day.
Ou o vilão ciborgue se torna herói e dispara:
- Hasta la vista, baby.
Pura magia.
Hoje vou dormir satisfeito.

:: Publicado por Paulo :: 11:22 PM ::

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INTERNETÊS

"koehhhhh mtu iraaaaaaadu u blog kkkkkk massa pks u lay.... ah sei lah uke fala.....ta massa ake.....baum issu eu jah disse neh? kkkkkk eh eh eh..... passa nu meu blog ae....... flwssss"

Isso que vocês acabaram de ler não foi encontrado num papiro no sarcófago de Tutancâmon, ou em escritos de druidas em um monolito de Stonehenge. É somente um comentário copiado, ipsis litteris, de um blog conhecido.
Se você, como eu, não entendeu bulhufas, o único recurso que nos resta é recorrer ao Pequeno Glossário de Internetês da Editora Tabajara.
A seguir os termos já desvendados do texto acima.

Koehhhhh = Qual ééééé - A quantidade de "h" no final da palavra não altera o sentido, mas muda a entonação. É o mesmo que "Qual é" (cumprimento seco) e "Qual éééééé" (cumprimento com alegria).
Mtu = Muito.
Iraaaaaaadu = Irado. Aqui "irado" não é no sentido de "enfurecido", mas sim de "legal", "maneiro", "bacana" ou, como dizia meu avô, "supimpa".
U = O.
kkkkk = kkkkk. Onomatopéia que representa uma gargalhada.
Massa = o mesmo que Irado.
Pks = Pacas. Forma sintética de "Pra cara...mba".
Lay = Layout.
Lah = Lá.
Uke = O que.
Fala = Falar. (Essa foi fácil).
Ake = Aqui.
Baum = Bom.
Issu = Isso.
Jah = Já.
Neh = Né; Não é?
Eh eh eh = He he he. Onomatopéia para risada.
Nu = No. *(Não se deixe enganar pela aparente simplicidade dessa palavrinha. Aqui deve-se ter muito cuidado, porque "passar no" é uma coisa e "passar nu" é outra, completamente diferente. Pode até gerar uma situação de atentado violento ao pudor).
Ae = Aí.
Flwssss = Falou. Essa foi difícil. Foram horas pesquisa. Por dedução lógica a tradução literal seria "faloussss"...

Outros termos bastante usados pelos misteriosos seres que habitam este mundo virtual são:

Ksa = Casa.
Axei = Achei.
Bjux = Beijos
Fotenhas = Diminutivo de foto.
Gentsss = Gente.
Intaum = Então.
Bjaum = Beijão.
Taum = Tão.
Naum = Não.
Maum = Mão.
(Essa eu nunca vi, mas deve haver).
9dades = Novidades. (Achei ótima. Que criatividade!)
Huahuahuahua = Outro tipo de risada.

Bem, o que deu para observar é que o comum é trocar "ch" por "x", "s" por "x", "ão" por "aum", "i" por "e", "e" por "i", "o" por "u" e por aí vai. Algumas são fáceis de identificar, outras nem tanto.
Estamos aceitando doações de novos vocábulos para enriquecer o nosso glossário, desde que devidamente traduzidos.
Por hoje é só, pessoal.
Bjux nu koraçaum di tdus i ateh...

:: Publicado por Paulo :: 2:37 PM ::

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Segunda-feira, Setembro 27, 2004



Meio sem tempo, meio sem ânimo... Mas para não deixar o blog desatualizado, mantendo, pelo menos, a média de um post semanal, quero compartilhar com vocês mais um ótimo texto de Martha Medeiros.
Leiam e me digam se não é verdade.

O CENTRO DAS ATENÇÕES
(Martha Medeiros)

Os cientistas estudam e pesquisam incansavelmente para descobrir a cura do câncer, a vacina para a Aids e tantas outras soluções que aplaquem as doenças que nos rondam. Enquanto isso, os psicanalistas tentam aliviar nossas doenças da alma, nossos solavancos do coração. Mas como nem todos têm condições de pagar umas visitas ao divã, tentam sozinhos descobrir a cura para este mal que já afligiu, aflige ou ainda irá afligir 100% da população: a dor-de-cotovelo.
Como amor é assunto recorrente desta coluna, muitos acham que tenho a fórmula mágica para aniquilar as dores provocadas pela paixão. Tenho nada. Tenho são os meus palpites. E uma antena que capta frases, depoimentos, tudo o que possa ajudar. Um dia desses uma leitora me escreveu um e-mail simpático, dizendo que havia lido ou escutado em algum lugar uma coisa que ela achava que fazia sentido: "O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções".
Faz, sim, todo o sentido. Na hora da saudade, da tristeza, do desamparo, é com ele que contamos: o tempo. Queremos dormir e acordar dez anos depois curados daquela idéia fixa que se instalou no peito, aquela obsessão por alguém que já partiu de nossas vidas. No entanto, tudo o que nos invadiu com intensidade, tudo o que foi realmente verdadeiro e vivenciado profundamente não passa. Fica. Acomoda-se dentro da gente e de vez em quando cutuca, se mexe, nos faz lembrar da sua existência. O grande segredo é não se estressar com este inquilino incômodo, deixá-lo em paz no quartinho dos fundos e abrir espaço na casa para outros acontecimentos.
Nossas atenções precisam ser redirecionadas. Ficar olhando antigas fotos, relendo antigas cartas ou lembrando antigas cenas é tirar a dor do quarto dos fundos e trazê-la para o meio da sala. Evite. O tempo só será generoso na medida em que você usá-lo para fazer coisas mais produtivas: procurar amigos sumidos, praticar um esporte, retomar um projeto adiado, viajar. As atenções têm que estar voltadas para os lados e para a frente. O quartinho dos fundos tem que ficar fechado uns tempos, a dor mantida em cativeiro, sem ser alimentada. Amores passados contentam-se com migalhas e sobrevivem muito: ajude-se, negando-lhes qualquer banquete. A fartura agora tem que ser de vida nova.
__________

NOTA DA REDAÇÃO
A semana que passou foi exaustiva, motivo pelo qual andei afastado do computador. Chegava em casa cansado e sem nenhum pique.
Por isso peço desculpas pelas visitas que não retribuí e pelos e-mails que não respondi (e alguns que ainda nem li). Vou tentar colocar em dia.
Um grande abraço.


:: Publicado por Paulo :: 9:48 PM ::

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Domingo, Setembro 19, 2004



Ele falava sozinho.
Não esporadicamente, em momentos de abstração, mas freqüentemente e de maneira consciente.
Era um modo, segundo ele, de extravasar as angústias do dia-a-dia, os estresses. Era uma espécie de terapia.
Isso acabou se tornando uma rotina na hora do banho. Parava em frente ao espelho e, depois de uma verificação rápida no visual, começava o diálogo(?) com o espelho.
O assunto dependia do dia, do humor, do tempo disponível...
Ali, no espelho, ele esculhambou o chefe incompetente sem o menor medo de ser demitido.
Ali ele esmurrou aquele desafeto que, dizem, é faixa preta de caratê.
Ali ele disse a ela, com todas as letras, sobre o quanto ela é insensível e fútil.
Ali no banheiro, em frente ao espelho, ele chorou de saudade, de raiva, de tristeza e de alegria.
Ali ele também riu às gargalhadas.
Ali ele era ele, sem pudores, sem escrúpulos. Nu, literalmente.
Ali ele se declarou à Gisele Bundchen. E foi correspondido.
Esnobou a Feiticeira e a Tiazinha...
Fez um solo de guitarra ao lado do Eric Clapton e cantou para uma platéia de fãs alucinadas.
Ali ele se sentiu forte, se sentiu fraco, mas nunca se sentiu só.
Porque sempre havia resposta.
Ele falava e ele respondia.
E o papo rolava...
Depois, entre uma conversa e outra, entrava no chuveiro.
Às vezes dançava enrolado na toalha... E enquanto se vestia no quarto podia rolar também um papo rápido para concluir alguma pendência do banheiro.
No carro, já a caminho do trabalho, se pegava, novamente, falando sozinho. Quando percebia que o pessoal do ônibus ao lado estava olhando curioso, disfarçava fingindo que estava cantando e aumentava o volume do rádio.
Os colegas do trabalho sorriam complacentemente quando o surpreendiam falando com o computador. O computador era um bom ouvinte. Certa vez tentou falar com a televisão na hora do Jornal Nacional, mas o William Boner o interrompia o tempo todo e ele achou aquilo deselegante.
O próximo passo foi falar sozinho nos elevadores, nos corredores, na gôndola do supermercado, na fila do banco... E começou a atrair olhares desconfiados, risinhos dissimulados...
Foi aí que ele percebeu que a sua conversinha tinha deixado de ser particular e extrapolado os limites do seu banheiro.
Tinha perdido o controle da situação.
Resolveu maneirar.
Só que não era tão fácil. O papo entrava no automático. Estava ficando esquisito, até ele já achava.
- Não se preocupe, tem jeito pra tudo. Juntos nós vamos encontrar uma solução para esse problema - disse para si mesmo, com o olhar compenetrado, do outro lado do espelho.
E "estão" lá, no banheiro, há dias, conversando e pensando numa forma de não "pagar mico" em público.

:: Publicado por Paulo :: 2:54 PM ::

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Segunda-feira, Setembro 13, 2004



1965.
Ela tinha 14 ou 15 anos. Eu tinha 12.
Isso fazia toda a diferença do mundo. Eu era um pirralho.
Mas era um pirralho inconformado com a injustiça daquela situação. Afinal essa diferença de idade não poderia ser um obstáculo assim tão intransponível.
Eu já era altinho. Acima da média. Com certeza, da altura dela.
Eu não entendia porque aquela menina só olhava para caras mais velhos...
Eu tinha ódio mortal de todo sujeito com mais de 15 anos que se aproximava dela. Se passassem na frente do meu carro, eu atropelava. Apesar de achar que o meu carrinho (de rolimã) não ia fazer um estrago muito grande.

* Nota de esclarecimento para os mais jovens: os carrinhos de rolimã eram feitos, geralmente no nosso quintal, de madeira e rodinhas de rolamentos de aço (rolimã). O "chassis" (de madeira) tinha tamanho apenas suficiente para acomodar o traseiro. Dirigia-se com os pés e, normalmente, não tinham freios. Ótimos para ladeiras.
Fim da nota.


Mas eu disfarçava bem aquele meu ódio. Afinal, eu não era louco a ponto de revelar para um daqueles brutamontes toda a minha revolta. Seria suicídio.
E um deles, que já devia ter 18 (ou quase), gostava de mim, o que tornava tudo muito mais difícil. O cara era legal. E dava dois de mim na altura e na largura.
Mas o ciúme... Ah, o ciúme... Que droga de ciúme!
Por que a danadinha tinha que ser tão bonita?
E com um tremendo agravante. Ela tinha o LP "Beatlemania". O meu sonho de consumo.
Bonita e fã dos Beatles. Poderia haver combinação mais devastadora?
Eu sonhava com o colo dela e o som dos Beatles na vitrola...
Ah, sim... Aquele colo. É preciso falar a respeito.
Ela já era moça formada. Não era como as meninas da minha idade, despeitadas literalmente. Ela já usava sutiã. Aqueles de bojo, meio bicudos... Mas nem sempre usava. Nem precisava. Aqueles seios eram auto-suficientes, imponentes e impolutos. Duas armas mortais sempre apontadas para quem viesse pela frente. Um perigo...
O grande dilema da história é que eu era considerado, por ela e pelo namorado grandalhão, como um amiguinho querido. Era a suprema humilhação.
A sala da casa dela tinha um grande sofá-cama de frente para o rádio-vitrola importado. Era um daqueles grandes móveis de madeira escura. O máximo em high fidelity.
Eu passava algumas horas naquele sofá ouvindo as canções que estavam "fazendo a minha cabeça", com ela ao meu lado de short e blusinha justa "dando um nó" na minha cabeça. Desse jeito, há cabeça que resista?
Se você leu o post do dia 7 de setembro deve estar pensando que essa é a tal vizinha da iniciação...
Não, não é. Ela foi, simplesmente, o meu primeiro amor platônico. Mesmo que, na época, eu nem desconfiasse disso.
A outra vizinha, que me iniciou em outras artes, eu nem sei se gostava de música. Essa também era alguns anos mais velha que eu.
Mas isso vai render uma outra história.

:: Publicado por Paulo :: 1:08 AM ::

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Quinta-feira, Setembro 09, 2004



Sinais da idade.
Até bem pouco tempo atrás eu não tinha escrito (quase) nada sobre a minha infância.
Gostei da experiência do post anterior.
Foi quase como uma viagem no tempo. Tema, aliás, que me fascina.
Viajei.
Costumam dizer que com a idade vem também a nostalgia. As conversas costumam começar com "eu me lembro que", seguido de "no meu tempo", ou "quando eu era jovem" ou o tradicional "antigamente"...
Na verdade eu não tenho uma lembrança perfeita de determinadas passagens... São apenas alguns fragmentos de memória. Recordações de fatos que, de uma forma ou de outra, deixaram uma marquinha.
Claro, já vão aí mais de quarenta anos. Buscar lembranças dessa época é quase uma pesquisa arqueológica.
É possível até que algumas dessas lembranças estejam um tanto distorcidas. O quintal da casa que me lembro pode parecer muito maior do que realmente era. A perspectiva era a dos olhos de um menino.
É a idade.
Afinal o tempo é inexorável e democrático. Atinge a todos sem nenhuma distinção.
Eu não sou dos que afirmam taxativamente que "no meu tempo era muito melhor". O que eu acho é que demos sorte em alguns aspectos.
Os anos sessenta foram maravilhosos em termos musicais. Uma época de profundas mudanças que tivemos a felicidade de vivenciar.
Era, ao mesmo tempo, uma época mais ingênua, mais tranqüila.
As diversões eram mais simples e mais acessíveis. Principalmente para quem cresceu numa cidade do interior.
Mas, por outro lado, não tínhamos as facilidades dos dias atuais.
Não conhecíamos a imagem e som com a pureza digital. Não sonhávamos com a transmissão instantânea via satélite que nos permitiria assistir, ao vivo, ao show dos Beatles nos EUA, em 1964.
Não tínhamos o acesso à informação que temos hoje.
E, nos relacionamentos, não conhecíamos o termo "ficar". Não no sentido atual. Hoje é comum João ficar com Maria naquele final de semana ou, simplesmente, naquela festa. Tão cômodo...
Em resumo, há os prós e contras.
(Em tempo: o que é "pró" e o que é "contra" fica a critério de cada um. A opinião aqui expressada é pessoal. Há, por exemplo, quem prefira o som analógico dos antigos toca-discos. Eu respeito.)
Vou continuar revirando o meu baú de memórias.
Procurar mais alguns fragmentos da minha infância em Sorocaba.
Se lembrar de algo que mereça ser contado... Contarei.

:: Publicado por Paulo :: 4:57 PM ::

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Terça-feira, Setembro 07, 2004



Que o rock 'n' roll é um senhor cinquentão todo mundo já sabe.
Que o rock surgiu da fusão da música negra (blues) com a música branca (rural) americana, idem.
Que "Rocket 88" (composta por Ike Turner e gravada em 1951 com Jackie Brenston nos vocais) é considerada a primeira gravação de rock, também é fato conhecido.
Que Bill Haley, Elvis Presley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, etc, foram os principais responsáveis pela explosão do ritmo nos anos cinqüenta, já não é novidade pra ninguém.
Por isso eu não vou "chover no molhado" e escrever aqui sobre a infância do rock.
Nessa época, eu era bebê de colo e nem desconfiava que um dia seria apaixonado por rock 'n' roll.
O que eu quero relembrar aconteceu alguns anos depois, nos anos sessenta.
Foi algo que ficou conhecido como a "invasão britânica".

Sorocaba/SP, início dos anos sessenta...
Eu tinha sete anos de idade e já começava a desenvolver meu gosto musical.
Meus primeiros discos foram alguns 78 rpm doados pelo meu pai. Quase todos de Glenn Miller, Tommy Dorsey, Ray Conniff e alguns Românticos de Cuba.
Era o que ele ouvia e eu pegava carona. Alguns poucos já eram LP's de 33 1/3 rpm.
Eu tinha ganhado uma rádio-vitrola (reformada) da minha avó e agora eu queria ter os meus próprios discos.
O tal do rock já era moda entre os jovens do mundo todo e lá no interior de São Paulo, com algum atraso, eu começava a comprar os MEUS discos do Bill Halley, Elvis Presley e dos poucos cantores nacionais do gênero, como os irmãos Tony e Celly Campelo e Carlos Gonzaga.
Do outro lado do oceano Atlântico, em Liverpool/Inglaterra, começava um movimento conhecido como Merseybeat.
Jovens britânicos que cresceram ao som dos ídolos Chuck Berry, Elvis Presley, Muddy Waters, Little Richard, etc, combinaram a música americana ao skiffle que era o estilo musical comum entre os jovens ingleses provenientes da classe operária.
Começaram então a surgir grupos como The Quarrymen, de John Lennon que convidou Paul McCartney e este a George Harrison. Em seguida vieram Pete Best e Stu Sutcliffe que posteriormente abandonou o grupo... Pete Best acabou substituído por Ringo Starr.
O nome do grupo também mudou para Johnny and The Moondogs, depois Silver Beatles e finalmente The Beatles.
Sem dúvida, o sucesso estrondoso dos Beatles abriu espaço para outros grupos ingleses como: Gerry and the Pacemakers, Rolling Stones, Kinks, The Animals, Herman's Hermits, The Zombies...
E aí foi uma festa!
Os roqueiros britânicos invadiram os EUA e o resto do mundo.
E no interior de São Paulo, anos sessenta, eu começava a ter contato com aquele som, aquela moda, aqueles cabelos compridos... E com os Beatles.
Meu primeiro disco do "Quarteto de Liverpool" foi um compacto simples com Please Please Me e From Me To You.

* Nota de esclarecimento para quem tem menos de 25 anos:
Compacto Simples era um pequeno disco de vinil com uma música de cada lado.
Tínhamos também os Compactos Duplos que eram os mesmos disquinhos, mas com duas músicas de cada lado.
Long Plays (LP) eram os bolachões de vinil, geralmente com seis músicas de cada lado.
Fim da nota.




Já devíamos estar em 1965...
Eu tinha uma colega, na mesma rua, alguns anos mais velha que eu (ela devia ter uns 14 ou 15 anos) que tinha o LP "Beatlemania" com aquela capa em preto e branco...
Era simplesmente fantástico! Eu estava fascinado...
Os grupos nacionais não demoraram a surgir. Eu já tinha um LP dos The Clevers (Mingo, Manito, Netinho, Neno e Risonho) que, algum tempo depois, se tornariam Os Incríveis, e eu gostava demais daquelas músicas. Já existia também os Jet Blacks, se não me engano.
Éramos uma dúzia de garotos e garotas, amigos de escola e vizinhança, todos em torno de doze ou treze anos de idade e com o mesmo gosto musical.
Nós costumávamos nos reunir na casa da minha avó, aos domingos, por vários motivos:
Eu tinha minha própria vitrola... Tinha alguns bons discos (e alguém sempre trazia mais)... Tínhamos uma sala vazia e disponível para nossas reuniões... E, principalmente, tínhamos bolo e refresco que a minha avó não deixava faltar.
Dançávamos a tarde inteira, uma mistura de rock e twist regado a Q-Suco, guaraná caçula ou Crush...
Alguns mais avançados fugiam para o quintal para acender, escondidos, um cigarro Continental roubado do pai.
Outros, pelos cantos, entre uma música e outra arriscavam beijos na boca (de língua!!).
Era excitante, acreditem. Tive a minha iniciação sexual ao mesmo tempo que a musical. Acho que é por isso que eu gosto tanto de música.
E foi nesse ano (1965), que começou um programa de TV, nas tardes de domingo, com um cabeludo que cantava que era proibido fumar, ao mesmo tempo em que mandava tudo o mais pro inferno. Era uma brasa!
Mas isso é uma outra história.
O que eu queria enfatizar é que a minha iniciação musical foi com os Beatles e o rock britânico. A sexual foi com a minha vizinha.

:: Publicado por Paulo :: 9:08 PM ::

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